POSIÇÃO
OFICIAL
Noruega
Senhor
Presidente;
Senhores delegados;
Senhores observadores;
Senhores e Senhoras;
Ao longo
de mais de meio século, as nações unidas visam
solucionar os conflitos e restaurar a paz mundial; lutando, assim, para
conservar os direitos humanos e propiciar o nosso desenvolvimento econômico
e social. Nesse vasto intervalo de tempo, milhões de pessoas
foram oportunizadas e poderam sonhar com um futuro próspero e
menos desigual. É acreditando neste objetivo, base de raciocínio
das nações unidas, que a Noruega reitera seu pensamento
pacificador, no afã de obter um mundo mais justo, digno e pacífico.
A prova mais que concreta de todo o esforço desempenhado por
tal instituição foi a concessão do prêmio
Nobel da paz ao seu secretário geral Kofi Annan e à própria
ONU. Acreditando na mais absoluta justiça na escolha é
que aproveitamos tal ocasião para parabenizar, em nome de todo
povo norueguês, pela premiação.
Adentrando no enfoque que é mais peculiar nesse instante, nosso
posicionamento é similar ao da maioria da população
do planeta. O ataque terrorista de 11 de Novembro não foi um
afronte apenas à população inocente, mas a uma
gama de valores, nos quais estão plantados as raízes do
pensamento das nações unidas. Nós, condenamos esses
ataques terminantemente, e buscamos a cooperação internacional
para prevenir e erradicar o terrorismo, conduzindo os culpados à
justiça.
A Noruega, como parte integrante na Aliança do Atlântico,
apoia completamente os EUA na defesa contra o terrorismo internacional.
Estamos implementando as providências da resolução
1373 do Conselho de Segurança, dando passos concretos para esgotar
os recursos financeiros das redes terroristas.
É inegável que a única maneira de combater o desenvolvimento
desta rede de terror é utilizando-se de meios bélicos,
haja vista todas as impossibilidades e falta de elasticidade do regime
Taliban adotado no Afeganistão e considerando que este abriga
e oferece asilo à terroristas, o que é claramente coibido
pelas decisões do conselho das nações unidas. As
operações militares no Afeganistão, no entanto,
devem ser apontadas aos terroristas e àqueles que são
protegidos por eles e não dirigidas a civis inocentes, nem ao
Estado afegão como um país. De acordo com a opinião
da Noruega, elas devem ser direcionadas ao grupo de extremistas que
exploram uma religião mundial para seus maus propósitos
que terminam por gerar vítimas inocentes em atentados grotescos
e inescrupulosos.
Enquanto a tarefa imediata é pôr fim ao terrorismo e prover
apoio humanitário àqueles que precisam, nós temos
que trabalhar paralelamente para uma solução política.
Deve-se também focalizar a assistência de longo-prazo que
será necessária para reconstruir a sociedade destruída
pela guerra, melhorando o respeito pelos direitos humanos, e ajudando
o povo afegão não apenas durante a luta armada. Planos
e preparações têm que começar agora. Nós
apoiamos fortemente os esforços do representante especial do
Afeganistão na Secretaria Geral, Lakhdar Brahimi, para ajudar
na fundação de uma ampla base e soluções
políticas duradouras.
A guerra é algo que realmente não condiz com os princípios
de paz tão almejados pelo povo norueguês, porém
a situação calamitosa que assola nosso planeta nos remeta
à escolha desta opção. É a luta do bem contra
o mal, uma batalha contra o terror que esperamos ser definitiva e menos
dolorosa possível. É por acreditar que a paz um dia ainda
reinará; é por crer que um dia estarão erradicadas
as doenças infecciosas; por confiar que a pobreza terá
um fim no surgimento do respeito aos direitos humanos; é por,
sinceramente, apostar nas nações unidas como meio efetivo
de salvaguardar a segurança mundial que buscaremos as soluções
que se fizerem necessárias no combate ao terror.
Leonardo
Palitot Villar de Mello
Delegado da missão permanente da Noruega junto à Organização
dos Estados Americanos.